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Fundação Cultural do Pará abre Arraial de Todos os Santos 2026 com XXII Concurso Estadual de Quadrilhas e apresentações de Folguedos

Evento reúne 132 quadrilhas e 80 grupos de folguedos até o fim do mês de junho; 37 municípios estão representados na programação
Por Helena Saria (NCS)
10/06/2026 22h28 - Atualizada em em 10/06/2026 22h39

A Fundação Cultural do Pará realizou, na última quarta-feira, 10, a abertura oficial do XXII Concurso Estadual de Quadrilhas Juninas, evento que integra a programação do Arraial de Todos os Santos 2026. A programação reúne, até 30 de junho, 132 quadrilhas adultas e mirins, além de 80 folguedos, incluindo bois-bumbás, bois de máscara, pássaros, cordões e grupos de carimbó de diversas regiões. No total, 37 municípios do interior do estado estão representados na programação junina deste ano.

Quadrilha Estrela de São João (Tucuruí)

A programação do primeiro dia contou com atividades simultâneas em dois espaços: o palco Verequete e a arena Dona Graça. O primeiro concentrou as manifestações dos folguedos, começando pelo Boi de Máscara Preto Velho (São Caetano de Odivelas), seguido do Carimbó de Icoaraci e do Grupo de Atividades Culturais Paranativo.

Brincantes do Boi de Máscara Preto Velho, de São Caetano de Odivelas

Ivan Sarmento, diretor do Boi de Máscara Preto Velho, fundado em 1930 no município de São Caetano de Odivelas, destacou a trajetória do grupo até a participação na abertura do evento. "É muito emocionante estar aqui, que eu acho que é o maior palco da cultura do estado. A gente vem tentando há muito tempo trazer o nosso boi pra cá e agora deu certo. A gente está muito emocionado", afirmou. Sarmento também ressaltou a importância do suporte institucional. "O Pará se encontra aqui, pois o evento dá visibilidade além da região metropolitana. Por exemplo, a gente vê aqui o Boi de Máscara, quadrilha, Carimbó. Quer dizer, essa mistura aí que vale muita pena. Então a Fundação Cultural é importantíssima nesse processo. Sem ela a gente não vai ter aqui esse encontro de cultura", finalizou.

Ivan Sarmento, diretor do Boi de Máscara Preto Velho (São Caetano de Odivelas)

Paralelamente, na Arena Dona Graça — batizado em homenagem à falecida diretora da quadrilha Rainha da Juventude, umas das antigas do estado do Pará — recebeu os primeiros concorrentes do Concurso de Quadrilha Adulto. A noite de abertura contou com as apresentações das juninas Estrela de São João Tucuruí (Tucuruí), Cheiro de Patchouli (Cametá), Azabumba (Ananindeua), Roceiros Pedreirenses da Tia Beneca (Tomé-Açu), Roceiros do Amor (Marituba) e Rainha da Juventude (Belém).

Quadrilha Estrela de São João (Tucuruí)

A quadrilha Estrela de São João (Tucuruí), atual campeã do concurso, abriu as apresentações da arena. O diretor do grupo, Eliel Lucena, relatou o impacto dessa abertura: "A responsabilidade de abrir um festival junino do Estado é algo que nos deixou muito apreensivos. A gente ficou emocionado, porque ano passado nós fomos campeões e a campeã abre o festival. Então isso tem um peso tão gostoso. Estou realizando os sonhos de crianças que tinham um sonho. Nós fomos a primeira quadrilha de Tucuruí a vir para um festival, e conseguimos ganhar; 2020 ganhamos, ano passado também. Então, quer dizer, quando nós viemos para cá, temos muitas referências da capital de quadrilhas, de brincantes, de coreógrafos. Quando a gente chega e vê que a gente está no mesmo patamar, isso tem um peso", complementou.

Eliel Lucena, diretor da quadrilha Estrela de São João (Tucuruí), campeã do concurso de 2025

Outro grupo do primeiro dia foi a quadrilha Roceiros Pedreirenses da Tia Beneca (Tomé-Açu), que levou à arena 20 brincantes para defender o tema "Loucuras de Amor". Veterana no festival, a agremiação carrega o título de campeã de 2004, conquistado na época com uma proposta moderna para o cenário junino. Rafael Tavares, um dos diretores do grupo, detalha: "saímos de Tomé-Açu às 10h da manhã e chegamos aqui às 6h da tarde, foi cansativo, mas vale muito à pena. O papel da Fundação Cultural é muito importante para a valorização das quadrilhas, principalmente as do interior, vindo de uma cidade tão distante. É uma gratidão muito grande poder estar aqui, sendo privilegiado entre as quadrilhas que passaram por todo aquele processo de análises para poder participar do concurso", afirmou.

Claudinha Pinheiro, Diretora de Interação Cultural da FCP

O evento é organizado pela Diretoria de Interação Cultural da FCP. A titular da DIC, Claudia Pinheiro, explicou que a programação deste ano se insere nas comemorações de 40 anos da instituição e relembrou a evolução do festival, que instituiu o formato de disputa há 22 anos. "Esse arraial tem um diferencial que ele está inserido nos 40 anos da Fundação, que há 40 anos assumiu esse papel de fomentar a cultura e vem trazendo isso. O arraial, propriamente, vem sofrendo modificações. A quadrilha passou a ter concurso há 22 anos. Então nós vamos viver este ano o 22º concurso de quadrilha", apontou. Cláudia também destacou o papel do festival como ponto de convergência para grupos de regiões distantes, como as comitivas do Arquipélago do Marajó que viajam a noite inteira para se apresentar na capital. "Todos nós somos paraenses, temos o norte, mas em cada município a manifestação se dá de uma forma diferenciada. Então essa junção, esse encontro só faz enriquecer pra todos nós", avaliou a diretora.

Ygor Kahwage, Presidente da FCP

O presidente da Fundação Cultural do Pará, Ygor Kahwage, apontou as diretrizes de gestão que nortearam a organização da festividade junina, com ênfase na descentralização e no suporte financeiro oferecido aos fazedores de cultura. "A cada ano a gente amplia o número de quadrilhas. Desde o primeiro ano de gestão, a gente priorizou a interiorização, ou seja, priorizamos que viessem quadrilhas do interior, e hoje a gente bate o recorde de municípios participantes. Não só as quadrilhas juninas, mas pássaros, cordões, todos os folguedos que compõem esses quase 30 dias de festa junina, que mantêm viva a cultura paraense e as tradições do nosso povo", detalhou. Kahwage ressaltou ainda que o investimento estatal retorna para a sociedade civil em formato de incentivo. "Incentivar essas quadrilhas, esses grupos culturais, através de premiações, incentivos. Esse é o papel do governo do Estado do Pará. O governo vem incentivando ao longo dos últimos quatro anos. Sem dúvida nenhuma, esse ano a gente faz o maior arraial de todos os tempos", concluiu.

Quadrilha Estrela de São João (Tucuruí)

A consolidação do concurso e das mostras de folguedos na programação do Arraial de Todos os Santos 2026 reafirma a atuação da FCP como o principal órgão do estado responsável pela execução das políticas públicas de cultura do estado do Pará. Ao coordenar recursos humanos, financeiros e a estrutura logística para abrigar operários da cultura vindos de 37 municípios, a instituição cumpre o papel de descentralizar o acesso aos mecanismos estatais de fomento, assegurando a continuidade e a difusão das expressões folclóricas e da identidade imaterial das diversas regiões paraenses. Acompanhe as ações da FCP pelo nosso site (fcp.pa.gov.br) e nossa rede social (instagram.com/fundacaoculturalpa).