O Grêmio Recreativo Escola de Samba Crias do Curro Velho finaliza os preparativos de sua bateria para o Carnaval 2026. O grupo, composto por 130 ritmistas, é a base rítmica do enredo que celebra as quatro décadas da Fundação Cultural do Pará (FCP). A formação instrumental para este ano inclui 40 caixas, 20 repiques, 20 tamborins (divididos entre crianças e adultos), 10 platinelas, além de surdos e terceirinhas.
A coordenação da bateria está sob o comando do Mestre Muka, instrutor que atua no Curro Velho há 32 anos. Ele relata que a evolução do grupo partiu de uma estrutura com músicos contratados - lá no começo dos anos 90 - para uma formação própria, iniciada com instrumentos alternativos como baldes e garrafas. Atualmente, 70% dos integrantes residem na Vila da Barca, e o restante provém de bairros vizinhos como Telégrafo, Pedreira e Barreiro.
Muka enfatiza que o trabalho transcende o ensino da percussão. "Aqui a gente não trabalha só a percussão, a gente conversa, eu sempre falo para os alunos: estudem. Só o estudo permite que a gente tenha uma chance na vida", afirmou o coordenador. A participação feminina também é consolidada no grupo, com aproximadamente 25 meninas atuando em instrumentos como caixa, repique, tamborim e surdo.
A condução da bateria na avenida será realizada por dois mestres adolescentes, mas já com muita experiência na Danada: Lucas e Matheus, ambos na faixa dos 15 anos de idade. Formados nas oficinas do Curro Velho desde a infância, eles assumem o comando da bateria durante o trajeto. Muka explica que a renovação é constante e que o aprendizado respeita as normas de proteção à criança e ao adolescente, como a adequação do peso dos instrumentos à faixa etária.
Para o coordenador de iniciação artística do Curro Velho, Jorge Cunha, o projeto da bateria é um exemplo de impacto social acumulado. "As sucessivas equipes de trabalho vêm atuando há décadas no fortalecimento desse espaço de pertencimento, onde a cultura popular é ferramenta de educação e inclusão social para jovens da nossa região", destacou.
A diretora do Curro Velho, Celeste Iglesias, destaca que a bateria representa o coração das Crias. "A bateria impulsiona o desfile e simboliza a união de todas as nossas oficinas. Ver as nossas crianças e jovens dominando os instrumentos com tanta disciplina e técnica reforça o papel do Curro Velho na transformação social. É através desse ritmo que celebramos os 40 anos da FCP, mostrando que a formação artística é a base para a cidadania e para a preservação da nossa cultura", afirmou.
Esta é a primeira de uma série de três matérias sobre o Grêmio Recreativo Escola de Samba Crias do Curro Velho. Enquanto esta edição detalha a trajetória da Bateria Danada, as próximas reportagens vão abordar a composição do samba-enredo e a estrutura dos carros alegóricos que compõem o desfile.
Como entidade dedicada à execução das políticas públicas de cultura do estado do Pará, a Fundação Cultural do Pará (FCP) atua no fomento, na formação e na preservação da identidade regional por meio de seus diversos equipamentos. Ao promover o acesso de crianças e jovens ao ensino musical, à cultura e à arte, a instituição reafirma seu papel na democratização cultural e no fortalecimento das tradições amazônicas. Acompanhe as ações da FCP pelo nosso instagram.