A Galeria Benedito Nunes, na sede da Fundação Cultural do Pará (FCP), recebe a partir desta quinta-feira (12), às 19h, a exposição “Trans Amazônica”, da artista visual Rafaela Moreira. A mostra reúne obras produzidas ao longo dos 10 anos de carreira da artista e marca a conclusão de seu mestrado em Artes pela Universidade Federal do Pará (UFPA).
Selecionada pelo edital “Prêmio Branco de Melo 2025”, da FCP, a exposição propõe uma articulação entre pintura e outras linguagens das artes visuais, com foco em temas como identidade, território e resistência. As obras destacam a vivência de corpos trans na Amazônia e tensionam estruturas dominantes no circuito das artes visuais.
Percurso artístico e resistência trans
O título da exposição faz alusão à Rodovia Transamazônica, traçando um paralelo simbólico com o caminho percorrido por pessoas trans na sociedade. A proposta destaca um olhar trans sobre a Amazônia e valoriza trajetórias marcadas por deslocamentos físicos, simbólicos e afetivos.
Artista visual Rafaela MoreiraA artista ressalta a importância do momento. “Essa é a minha quinta exposição individual. ‘Trans Amazônica’ nasce de um olhar trans sobre a Amazônia e retrata os caminhos que pessoas trans percorrem ao longo de suas vidas. Cada trajetória é única. É uma grande alegria realizar essa mostra em Belém, celebrando meus dez anos de percurso artístico”, afirma Rafaela Moreira.
Diálogo entre territórios: Norte e Nordeste
Com curadoria dos pesquisadores e doutorandos em Artes Eduardo Bruno (Fortaleza/CE) e Waldírio Castro (Campina Grande/PB), a exposição reforça conexões entre a produção artística de regiões historicamente marginalizadas, como Amazônia e Nordeste. Essa escolha reafirma o caráter político e simbólico da mostra, que propõe novos centros para o pensamento artístico contemporâneo no Brasil.
Curador Waldírio Castro“A pintura de Sofia Aires, logo na entrada, simboliza essa conexão entre Norte e Nordeste, uma aproximação que também buscamos fortalecer”, destacou Waldírio Castro. “Apesar das diferenças regionais, temos muito a trocar, sobretudo diante de um cenário em que o eixo Rio-São Paulo ainda concentra grande parte da visibilidade artística.”
Curador Eduardo BrunoEduardo Bruno também comentou os desafios do espaço expositivo. “Transformamos o vitral da galeria em potência, posicionando as figuras trans das obras voltadas para a rua. Criamos um diálogo direto com quem passa. É quase impossível atravessar esse espaço sem ser convocado a refletir sobre o universo trans na região amazônica e no Brasil”, explicou.
Pintura de Sofia Chagas Aires, mulher trans nascida em Ananindeua (PA) mudou para Fortaleza (CE) ainda na infância
Serviço
Exposição: “Trans Amazônica”
Abertura: 12 de fevereiro, às 19h
Visitação: 13 de fevereiro a 27 de março
Horário: Segunda a sexta-feira, das 9h às 17h
Local: Galeria Benedito Nunes – Fundação Cultural do Pará
Endereço: Avenida Gentil Bittencourt, 650 – Bairro Nazaré, Belém (PA)