Ir direto para menu de acessibilidade.


Página inicial > Notícias > Arraial do Futuro: com apoio da Lei Semear, Arrastão do Pavulagem se reinventa para a linguagem digital
Início do conteúdo da página
Últimas notícias

Arraial do Futuro: com apoio da Lei Semear, Arrastão do Pavulagem se reinventa para a linguagem digital

  • Publicado: Sábado, 27 de Junho de 2020, 18h09
  • Última atualização em Sábado, 27 de Junho de 2020, 18h09
  • Acessos: 208
Fotos: Elcimar Neves
imagem sem descrição.

Os domingos de junho possuem uma tradição especial em Belém: pelo centro da cidade, o Arrastão do Pavulagem conduz uma multidão até o show do grupo que dá nome ao evento, o Arraial do Pavulagem. O processo para levar a festa para as ruas é intenso – envolve oficinas de percussão e dança, ensaios e muita dedicação. A pandemia do novo coronavírus impediu a realização da programação marcante este ano, mas isso não foi um problema para a trupe/instituto. Com apoio do Governo do Estado e da Fundação Cultural do Pará, por meio da Lei Semear, o Arrastão foi adaptado na íntegra para o formato audiovisual – sendo o primeiro projeto, dentre os aprovados nesta edição, inteiramente adequado para a linguagem digital.

As lives, batizadas de “Arrastão do Pavulagem, Arraial do Futuro”, são transmitidas aos domingos pelo YouTube, pelo Facebook da Equatorial Pará (patrocinadora do projeto) e pela TV Cultura, sempre a partir das 10h e a cada domingo com um tema diferente. Neste domingo (28), ocorre a segunda edição, com participações musicais de Adamor do Bandolim, Silvan Galvão e Sabah Moraes.

Pensado para ir além de uma apresentação musical, cumprindo por meio das redes sociais o seu maior papel – o de fortalecer a cultura popular da Amazônia –, o projeto traz como tema deste domingo o arquipélago do Marajó e o encontro cultural deste com outras cidades paraenses. Neste final de semana, o público vai conferir a participação da pesquisadora Josebel Fares, falando sobre a poética marajoara na obra de Dalcídio Jurandir; a pajé Zeneida Lima, dividindo com o público sua paixão pela vida, pela natureza e a cultura amazônica; e o pesquisador Edgar Chagas Junior, abordando a festa de São Sebastião, de Cachoeira do Arari.

Com a pandemia, a realização das oficinas pela qual passa todo o Batalhão de Estrelas (como os participantes à frente do Arrastão são chamados) também precisou ser adaptada. Sem a formação presencial, quem já participou de alguma das oficinas – de dança, percussão ou artes circenses – em anos anteriores foi chamado para realizar ensaios virtuais, por meio de videoaulas com os instrutores; e depois gravou em casa sua apresentação. Tudo isso foi reunido em videoclipes, que são exibidos durante as lives.

A Fundação Cultural do Pará conversou com Júnior Soares, coordenador do Arraial do Pavulagem, sobre os desafios da nova linguagem. Confira a conversa:

Como surgiu a ideia de adaptar o famoso Arrastão do Pavulagem pro ambiente virtual? O que vocês levaram em consideração pra entregar um conteúdo que refletisse o clima dos domingos de junho?

Inspirados nessas experiências que várias manifestações culturais do brasil estavam fazendo, e dada a impossibilidade de fazer o Arrastão de forma física – por não poder aglomerar na rua –, percebemos que a saída seria realmente fazer algo digital, um conteúdo audiovisual. A nossa intenção nas lives é trazer as pessoas pra dentro do universo criativo que resulta no Arrastão do Pavulagem. A gente faz uma espécie de amalgamento de várias manifestações culturais da nossa terra: traz um pouquinho do boi de máscaras, do boi bumbá, da marujada, e essa soma se transforma no Arrastão. Nesse clima dos domingos, a gente quer justamente fazer isso: dissecar e mostrar alguns conteúdos dessas manifestações que nos inspiraram.

 

Vocês tiveram algum receio na hora de viabilizar esse formato?

Nós somos músicos acostumados com o palco, com o calor da rua, com a resposta imediata do público ali na frente; e o próprio Arrastão em si – [pensamos] “como é que a gente vai passar duas horas e meia de programa mostrando a música, será que as pessoas não vão ficar de saco cheio?”... Mas como tudo que fazemos é de maneira verdadeira, nesse desafio nos cercamos de maravilhosos profissionais de todas as áreas, uma equipe muito grande – que passa por cenografia, captação, edição de imagem, direção, produção, assessoria de comunicação poderosa – porque nesse momento de necessidade de se comunicar, a gente precisou ir com tudo para as redes sociais. Uma live dessas, com patrocínio, com o apoio da Semear, nos traz a responsabilidade de fazer a coisa muito bem feita. Topamos o desafio com a criatividade que o Pavulagem tem.

 

Como tem sido a reação das pessoas?

Tivemos mais de 6 mil comentários na primeira live. As pessoas são maravilhosas. É o que nos liga à emoção de ter vivido isso com gente que inclusive mora longe de Belém, que já esteve nas ruas no mês de junho com o Pavulagem, sua família e seus amigos, e realmente fica uma saudade gigantesca. Aí a gente consegue proporcionar essa alegria num momento em que tá todo mundo longe de um jeito muito igual. Mesmo quem tá em Belém sente essa falta, claro, porque não tá acontecendo na rua. Então a ligação com a memória – a música, a cultura e as ruas de Belém – trouxe muitos comentários maravilhosos pra nós. Inclusive com relação à tradução em Libras, porque nós procuramos trazer uma qualidade que estivesse baseada nos nossos princípios de inclusão.

 

Quais os desafios de produzir conteúdo cultural digital pra um grupo como o Arraial do Pavulagem?

Os desafios vêm com o ineditismo. Pra nós, cada tomada de decisão é um debate muito grande, muita gente envolvida. Os arrastões estavam quase no automático, porque tinha o formato – um calendário de oficinas que resultava nos ensaios, depois finalizava no arrastão, show da banda, a gravação de um disco, música, pesquisa. Quando mudamos pra essa linguagem totalmente diferente do presencial, tivemos que nos reinventar. E cada live vai ser diferente uma da outra, porque vamos tentar aperfeiçoar ao máximo e aprender a cada domingo.

 

A alternativa da live e dos conteúdos digitais é a saída para os artistas nesse momento de isolamento?

A alternativa é uma saída não só para os artistas. O nosso povo que tá em casa tá carente de conteúdo pra consumir, passar o tempo, se distrair. Pros artistas, o maior desafio é a questão do patrocínio, porque não é barato fazer uma coisa com qualidade, do jeito que a gente tá fazendo, ou como deve ser feito – os músicos todos em cena, com internet de qualidade, um lugar com preparação estética e cenográfica, tratamento de áudio, luz... pra esse nível, é preciso patrocínio. Mas mesmo as menores, feitas com menos recursos, tem dado certo e amenizado o sofrimento do artista brasileiro, que ficou sem renda pra atravessar essa pandemia.

registrado em:
Fim do conteúdo da página