Ir direto para menu de acessibilidade.


Página inicial > Notícias > Diversidade é tema de capacitação em artes cênicas no Curro Velho
Início do conteúdo da página
Últimas notícias

Diversidade é tema de capacitação em artes cênicas no Curro Velho

  • Publicado: Quinta, 08 de Fevereiro de 2018, 10h13
  • Última atualização em Quinta, 08 de Fevereiro de 2018, 10h14
  • Acessos: 682
imagem sem descrição.

Este ano o Laboratório de Aperfeiçoamento, promovido pela Fundação Cultural do Pará (FCP), nas Oficinas Curro Velho, traz reflexões e práticas em diversidade voltadas para instrutores e futuros instrutores de artes cênicas. A programação, que conta com três palestrantes, será realizada até hoje, 8, com mesa redonda e atividades práticas.

No total serão três assuntos debatidos na programação: raça, gênero e sexualidade, e inclusão. Segundo o coordenador de linguagem corporal da FCP, Jorge Cunha, este tipo de capacitação é oferecida todos os anos para instrutores e futuros instrutores, não só para quem deseja ministrar oficinas no Curro Velho.

A escolha do tema deste ano está ligada ao público diverso atendido pelo Curro Velho. Jorge Cunha esclarece que essa diversidade reflete no processo diário dos instrutores, fazendo com que eles precisem se adequar, mesmo tendo todo um plano de aula definido. “Essa capacitação serve para instrumentalizar as pessoas com temas e conteúdos que possam agregar na sua aptidão individual, enquanto arte-educador, para desenvolverem um bom trabalho”, esclarece.

Raça - O debate sobre questões étnicas-raciais no Brasil fica ao comando da professora Joana Machado, militante do movimento negro. A conversa abordará sobre a formação do pensamento social brasileiro em relação às heranças culturais africanas.

A educadora considera que existe um grande desconhecimento do continente africano por parte dos brasileiros. “O grande foco é o combate ao racismo, entender que na nossa formação não vemos África, não sabemos nada da nossa ancestralidade nem da composição artística africana. É preciso romper essa barreira da não-civilidade africana”, afirma.

Ainda segundo Joana Machado, é preciso entender o corpo negro e a mente africana. Ela revela também que o estado do Pará tem 78,4% da população alto declarada preta e é o quarto maior em número de população quilombola. “A intenção do formador é despertar a busca por esse outro lado. Iremos trabalhar com a totalidade e multiplicidade das artes, e as diferenças para além do que está estabelecido”, finaliza.

Gênero - Para falar de questões de gênero e sexualidade nas artes cênicas, o antropólogo Amadeu Lima trará aos futuros instrutores situações para seus cotidianos, no dia a dia, com alunos de gêneros distintos. “Pensaremos essa diversidade dentro da sala de aula e entre outras questões”, afirma.

Durante a programação, os alunos poderão acompanhar uma entrevista aberta com um transexual, inclusa na oficina “Corpo Transitivo”, onde ela contará sua história de vida, abordando lembranças da infância, juventude, transição e dias atuais.

O antropólogo acredita que essas discussões vão além da utilidade para a própria carreira, mas sim para todo um processo de humanização. “São questões pertinentes no atual momento do país, de muita intolerância e desrespeito, principalmente questões raciais, LGBT, e de gênero contra mulheres. Essa discussão acaba passando por tudo isso”, finaliza.

Inclusão – A professora Scheilla Abbud discute com os alunos situações pessoais vividas na condição de alguém que também possui deficiência, parcial na audição e visão.

O cadeirante Cleyton Bentes, de 36 anos, participa da programação. Ele é integrante da Companhia Do Nosso Jeito, projeto de dança artística da FCP.  Atualmente, a Cia é bicampeã do Campeonato Brasileiro de Dança Esportiva em Cadeira de Rodas (CBDCR), representando à altura o estado do Pará.

Cleyton considera muito importante este tipo de atividade realizada por pessoas que convivem com as diferenças todos os dias. “É preciso saber lidar não só com pessoas com deficiências, mas sim com toda essa diversidade”, afirma.

Cadeirante há oito anos e integrante da Cia há três anos, Cleyton não esconde seu otimismo em estar participando do aperfeiçoamento. “Tudo isso vai me ajudar em muito com coisas que até eu tinha um pouco de preconceito comigo mesmo. É importante conhecer a si mesmo para poder conhecer as outras pessoas, acabando com qualquer tipo de preconceito”, finaliza. 

registrado em:
Fim do conteúdo da página