Odivelismo
And Santtos
Janelas para o Odivelismo
Às margens do rio Mojuim, o artista visual autodidata And Santtos construiu seu repertório imagético, vendo o dia a dia dos pescadores na figura de seu pai, Pedro. Ali, nas praias de São Caetano de Odivelas, a ânsia por se expressar artisticamente o fez aprender a “abrir letra” em embarcações e quando isto já não era suficiente, começou a pintar em telas. Nesta exposição And Santtos exibe um conjunto de pinturas relacionadas à pesca, ao extrativismo do caranguejo e à estética do Boi de Máscara.
Inspirado na dramaticidade da luz barroca, nas pinturas oníricas dos surrealistas, além de suas referências culturais identitárias, o artista cria seu universo particular e, como se fotografasse um instante desse mundo, nos apresenta retratos dos seres que o habitam. Em Odivelismo, And por vezes hibridiza o brincante de máscara ao pescador: a pele já não é mais pele; a fantasia, que coloca o brincante em anonimato, já não é mais fantasia. A metáfora se torna realidade e ambas se fundem. Na pintura, transformando o corpo em composições coloridas de quadriculados ou de fitas, que se desprendem e se esvoaçam. Os personagens com traços tão característicos da nossa região passam, então, a ocupar um lugar místico, como divindades deste mundo que se sobrepõe ao nosso.
Em telas, murais ou objetos tridimensionais, And Santtos abre uma fenda, uma janela. Odivelismo instiga o olhar atento do espectador para que, desta janela, observemos sob a ótica do artista a rotina de um outro lugar, que tensiona o perto e o distante mediante a referências tão díspares: a linguagem de uma pintura canônica tradicionalmente europeia e as referências culturais de um local afastado dos grandes centros hegemônicos.
Doris Rocha
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