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M.A.S. Vida de Papel, de Izabela Leal

Publicado: Quinta, 14 de Novembro de 2019, 09h51 | Última atualização em Terça, 07 de Janeiro de 2020, 07h41 | Acessos: 453

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Exposição "M.A.S. Vida de Papel"

Izabela Leal

 

O cosmo de dentro do caos

 

Antônio Moura

 

Nietzsche anunciou, ou melhor, constatou a morte de Deus diante de uma suposta impossibilidade de qualquer metafísica na modernidade. Agamben de uma certa forma não o corrigiu, mas o completou com a afirmação de que Deus não morreu, virou dinheiro. O Capital, suprema divindade contemporânea, convenceu a todos no mundo de que competir de forma voraz e vencer a qualquer custo é próprio da natureza humana, uma falácia que a nossa espécie introjetou como verdade, desconsiderando qualquer outro horizonte além dela, quando, na verdade, a natureza do ser humano é plástica, numa contínua necessidade de se moldar.

Vida de papel, de Izabela Leal, é um exemplo desta evidente natureza plástica do ser humano.

O seu ponto de partida é o de uma vida invisível – a de Marcos Alberto Schild – que, talvez, para se dar forma, precisa recriar-se através de conjuntos de palavras ou frases que traduzem acontecimentos cotidianos, listas com os mais variados grupos de nomes, historietas e outros vestígios da existência fixados, em boa parte, sobre papéis de publicidade colhidos na rua. Papéis estes que se apresentam como uma alegoria do mercado – que torna o indivíduo invisível – aos quais a artista contrapõe como suporte materiais também colhidos na rua, mas, neste caso, rejeitos, matéria descartada pelo mercado, uma alegoria da poesia.

O seu ponto de percurso, não de chegada, é a forma como Izabela Leal os reúne
em uma nova topografia visual e semântica. Em Vida de papel a própria caligrafia vista a uma certa distância também se insere numa configuração gráfica quase assêmica, como em certas experiências de Henry Michaux e Christian Dotremont. Também não é à-toa que a imagem do mapa está presente de forma explícita ou implícita nesta obra, já que em um mundo vertiginosamente fragmentado a busca por algo que se assemelhe a um território de pertencimento, norteamento e acolhimento está sempre se desenhando ao fundo.

Vida de papel é um ato de criação e transformação, ou seja, plástico, de reconstrução de um cosmo no sentido grego do termo, o de organização, mas que aqui se faz de um mundo íntimo, interior, introspectivo, inerente à contemporaneidade.

 

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SERVIÇO:

Exposição: M.A.S. Vida de Papel, de Izabela Leal

Abertura: 06 de novembro, às 19h

Visitação: 06 a 29 de novembro de 2019, de seg a sex, das 09h às 19h

Local: Galeria Theodoro Braga, Térreo/Centur, Av. Gentil Bittencout, 650, Nazaré-Belém

 

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O cosmo de dentro do caos

Antônio Moura

Nietzsche anunciou, ou melhor, constatou a morte de Deus diante de uma suposta impossibilidade de qualquer metafísica na modernidade. Agamben de uma certa forma não o corrigiu, mas o completou com a afirmação de que Deus não morreu, virou dinheiro. O Capital, suprema divindade contemporânea, convenceu a todos no mundo de que competir de forma voraz e vencer a qualquer custo é próprio da natureza humana, uma falácia que a nossa espécie introjetou como verdade, desconsiderando qualquer outro horizonte além dela, quando, na verdade, a natureza do ser humano é plástica, numa contínua necessidade de se moldar.

Vida de papel, de Izabela Leal, é um exemplo desta evidente natureza plástica

do ser humano.

O seu ponto de partida é o de uma vida invisível a de Marcos Alberto Schild – que, talvez, para se dar forma, precisa recriar-se através de conjuntos de palavras ou frases que traduzem acontecimentos cotidianos, listas com os mais variados grupos de nomes, historietas e outros vestígios da existência fixados, em boa parte, sobre papéis de publicidade colhidos na rua. Papéis estes que se apresentam como uma alegoria do mercado – que torna o indivíduo invisível – aos quais a artista contrapõe como suporte materiais também colhidos na rua, mas, neste caso, rejeitos, matéria descartada pelo mercado, uma alegoria da poesia.

O seu ponto de percurso, não de chegada, é a forma como Izabela Leal os reúne

em uma nova topografia visual e semântica. Em Vida de papel a própria caligrafia vista a uma certa distância também se insere numa configuração gráfica quase assêmica, como em certas experiências de Henry Michaux e Christian Dotremont. Também não é à-toa que a imagem do mapa está presente de forma explícita ou implícita nesta obra, já que em um mundo vertiginosamente fragmentado a busca por algo que se assemelhe a um território de pertencimento, norteamento e acolhimento está sempre se desenhando ao fundo.

Vida de papel é um ato de criação e transformação, ou seja, plástico, de

reconstrução de um cosmo no sentido grego do termo, o de organização, mas que aqui se faz de um mundo íntimo, interior, introspectivo, inerente à contemporaneidade.

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