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MAGU - Para ter de onde se ir, de Natan Garcia

Publicado: Quarta, 03 de Outubro de 2018, 12h32 | Última atualização em Quinta, 28 de Fevereiro de 2019, 13h22 | Acessos: 103

MAGU - Para ter de onde se ir de Natan Garcia

Convite

O que nos leva ao retorno?

 

Um cheiro? Uma fala? Uma imagem? Um sonho? Um lugar... Parece estarmos a todo momento sendo instigados a olhar para o nosso passado, mesmo que as vezes não remeta a momentos que queiramos retornar. Somos estimulados por sentimentos ou sensações que nos impulsionam a uma estranha saudade. Caminhamos no presente na perspectiva de encontrarmos nosso futuro, porém, as lembranças de outrora preenchem histórias que tecem quem somos, redefinem.

Natan Garcia - a partir do ano de 2006, foi levado por um desejo de retorno a um lugar não visto há 12 anos, costurado por um Rio chamado Magu (palavra que significa magia, encanto e luz), onde os índios Araios, que habitavam essas terras o chamavam assim, pela transparência de suas águas refletir com nitidez suas próprias imagens. Talvez a transparência do Rio tenha tornado nítido ao fotógrafo e suas lentes o desejo de reencontrar as histórias que hoje refletem o lugar. Histórias que transpassaram sua infância até a juventude. Neste retorno, a paisagem não era mais a mesma, mas a estrada de asfalto que aponta o caminho antes coberto pela terra batida, não cobriu a emoção que é despertada no fotógrafo ao perceber que a região do Magu não é mais uma casa onde tenha que ficar, mas de ter de onde se ir.

Neste reencontro, Natan, vê na paisagem modificada rastros de seu tempo, a permanência de algumas casas, de alguns personagens, de algumas histórias,... Assim, o comportamento dos moradores da região testemunhado pela carnaúba, ora verde ora cor de terra, passa a ser documentado pelo fotógrafo que observa em suas imagens a diversidade dessa paisagem, constituída não só pela natureza, mas pelo gesto humano que a complementa. Respirar o silêncio dos percursos diversos que cercam a vida do artista, traz a tona, memórias que oscilam como curvas de estrada e revelam a cada desvio uma nova paisagem. Esta paisagem está presente no gosto da água de pote, no sabor da farinha e da tapioca feita em um forno de mais de 40 anos, na prensa manual de farinha que já não existe, mas que é rememorada artesanalmente na leveza do miriti. No plantar para colher, para trocar, para se alimentar, no gado que alimentado para o abate alimentara outras famílias, no cavalo que encena a vaquejada, nas mulheres que contribuíram em sua criação, nos amigos que o viram crescer e criam e recriam histórias de sua época de menino.

O que nos leva ao retorno? Talvez seja o desejo que os testemunhos que contribuem para a formação de nossa história jamais se apaguem, jamais apaguem a certeza da existência do lugar anunciado pelo poeta Max Martins, lugar de ter de onde se ir.

 

Heldilene Reale

 

                          ExposiçãoMagu     NatanGarcia

 

                                                              ParaterDeOndeSeIr

 

SERVIÇO:

Exposição: MAGU - Para ter de onde se ir, de Natan Garcia

Abertura: 03 de outubro de 2018, às 19h.

Visitação: de 03 de outubro a 02 de novembro de 2018, segunda a sexta, das 09h às 18h.

Local: Galeria Theodoro Braga, Térreo\Centur, Av Gentil Bittencourt, 650, Nazaré-Belém.

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