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Exposição Um olhar Sobre Belém, de Branco de Melo

Publicado: Quarta, 27 de Setembro de 2017, 16h04 | Última atualização em Terça, 28 de Novembro de 2017, 14h04 | Acessos: 674

Um olhar sobre Belém - Branco de Melo

 

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Branco de Melo – Um olhar sobre Belém

“Suas pinturas não deixam de ser estilhaços de imagens, fragmentos do passado, pedaços de momentos isolados no agora do tempo pretérito. Água, riscos, cores e imagens diluídas, ou convidadas ao diluimento. Nada de coisas muito nítidas, nada de alta definição. Mas, um fluxo caudaloso de repertório visual da cultura local, que não tem pressa na memória de quem possui, com Belém, um longo tempo de convívio.”

(Ilton Ribeiro, Branco de Melo: Fragmentos da Memória, 2014)

Os pequenos olhos do artista têm 92 anos a observar a cidade onde nasceu e vive. Em sua casa, na Avenida Conselheiro Furtado esquina com a Vila da Paz, reina o silêncio de um outro tempo – não apenas do passado, que se pode vislumbrar através das diversas janelas criadas por ele, espalhadas pelas paredes, moldadas à óleo, aquarela, acrílica, nanquim; é um outro tempo que reflui na conversa infinitamente paramentada de memórias (essa tela também colorida e inventada por cada um de nós, e que tem muito mais a ver com o presente, com as questões presentes); um tempo de alargamento, de distensão e complacência com tudo aquilo que somos, que conseguimos ser, e com o espaço onde podemos estender o olhar, a cidade que nos abriga, e que também nos vê, como num espelho.

Fragmentos de espelhos geométricos foram exatamente o que levaram o artista até a XII Bienal de São Paulo em 1971, impulsionado pelas inovações e experimentos da Arte Moderna; “Lumens”, a série de tridimensionais compostas por espelhos geometricamente cortados, refletia a explosão de ideias e novidades que aportavam no campo das artes visuais no Brasil da época, confirmando-o como um expoente da nova arte, representando o norte do país. Mas não perduraria este intercurso do artista, autodidata, posteriormente educado nas artes gráficas com ênfase no desenho na Escola de Artífices (onde entrou via concurso de desenho, em 1942), que passou pelo desenho técnico, mecânico e topográfico, até encontrar nos anos 1960 o mestre Balloni, que desvelou a ele e a um grupo de artistas contemporâneos (que incluíam Paolo Ricci, Benedicto Mello e Ruy Meira) a estrutura formal e poética das vanguardas modernistas. Sua pintura então despontou com a força expressiva que podemos comprovar nessa mostra, onde ora o desenho prevalece, ora a cor em grandes manchas buriladas pelo tempo e pelo olhar.

Belém, sua cidade, foi seu grande amor e grande tema no desenho e na pintura, eleito entre suas muitas possibilidades interpretativas. O Círio, os costumes, as paisagens ribeirinhas, os tipos humanos, multiculturalidades, detalhes de pontos turísticos observados de maneira peculiar e cuidadosa, como um dedicado esposo a cuidar de sua Musa. Essa relação do artista com a cidade também é um reflexo de sua relação com D. Maria José, sua esposa, com quem atravessou as Bodas de Ouro, e que sempre o apoiou em sua arte e suas convicções artísticas. Esta mostra também pretende homenagear esta união duradoura, que referenda uma crença esperançosa na beleza do amor, e da própria cidade – ora vilipendiada e abandonada. O amor de um olhar que atravessa janelas de tempo e de presença com a tranquilidade de quem conhece o fluxo dos rios e o horário das chuvas vespertinas. Um olhar que envelhece sabiamente olhando a si mesmo através das janelas, a conhecer-se melhor.

Renato Torres

Técnico em Gestão Cultural - GTB

 

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SERVIÇO:

EXPOSIÇÃO: Um olhar sobre Belém, Branco de Melo

ABERTURA: 23 de agosto de 2017

VISITAS: de 23 de agosto a 15 de setembro, de seg. a sex. de 9h às 18h.

 

 

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